Paulo Scott

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OITAVA BARCAFÉ

Entrevistas vão além de perguntas

 

(entre. pegue um café. fique à vontade, pois, nesse site, não recebemos visitas: recebemos amigos.)

 

o papel tem peso pra poesia

 

e o que é Poesia, afinal?

Perguntamos para o Paulo Scott e ele não deu

uma resposta

rápida e talvez a poesia seja mesmo esse

Tempo

sem pressa

permeado por

palavras, mas o Paulo nos disse que poesia tem a ver também com o

Como (?)

Dizer.

O resultado em letras do que se diz é

compacto perto do tamanho das entrelinhas do que foi Dito e talvez por isso

a Linguagem seja tão importante pra Poesia. A palavra pesa, o papel também. O poeta Voa, conheça

Paulo com 1 copo de

scott.

 

[coleção de livros]

Ele fez uma pequena biblioteca que fica na casa

dele e tem 1 nome. Chama:

– Museu da Novíssima Literatura Brasileira.

 

(c u r i o s i d a d e)

 

Mas ele nos disse que aos 48 anos, sua idade de agora, ele já deu muito livro da sua biblioteca, especialmente os bons, não se apega.

– Com sorte, devo viver mais uns 20 anos que

passarão voando.

 

Mas isso é com a prosa. Os livros de poesia ele não dá

nenhum.

 

[ser leitor]

o Paulo se considera, antes de tudo, 1 Leitor.

E preza pelo prazer da leitura por si só sem o Cargo de ser também um Estudo para o Escritor. Aliás ele tenta separar o seu escritor do

seu leitor que não é exatamente o Paulo-pessoa, é na verdade um leitor imaginário dentro da cabeça dele e é esse leitor que lê também os próprios textos do Paulo, numa esquizofrenia lírica.

Ele tenta não ser muito técnico quando está lendo. Na prosa é mais difícil, o Paulo fica sempre à espreita, de olho no Narrador e suas façanhas. Agora quando é poesia, daí ele consegue mais fácil relaxar, desarmar-se, pra

des

frutar.

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[orgulho e preconceito]

O Paulo é de Porto Alegre e passou sua infância brincando na favela que ficava em frente à rua onde morava. Morava na Periferia, seus pais davam um duro

Danado

no trampo e ele aos 14

Anos, lendo Sartre, A náusea. Sentia vergonha, na época, em se dizer Poeta. Hoje sabe o quanto poesia é revolucionária além de

Necessária não no tom de utilidade, mas de agente-transformador.

Tanto que ele até largou a carreira de advogado para ser escritor full

Time. Ele se formou em Direito, era militante, fez mestrado, deu

Aula, teve escritório, sócio,

Grana-fixa. Hoje ele segue militando com as letras e disse não ter conseguido ser o advogado revolucionário que pensou que seria.

Na época do mestrado ele ficou um tempo sem escrever, se forçou. E acabou doente, fisicamente também, por lidar tanto tempo exclusivamente com livros jurídicos.  

 

[o gago]

o Paulo quando + menino (que ele ainda é um Menino

sentado no Homem que aparenta ser)

tinha problema na fala, era Gago. Por conta disso, ele precisava Escolher muito bem

as frases que diria para não tropeçar nelas. Tendo hoje sarado e sendo hoje Poeta, ele continua

na mesma dinâmica.

 

[o monstro]

o monstro, 1 símbolo presente em sua Literatura inclusive nos títulos,

(o primeiro livro do Paulo se chama: Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros)

tem a ver com a Estranheza que o Paulo pensa ter

sendo

o Paulo e ninguém mais. Ele se formou Poeta num meio onde tantos poetas se calam diante do Tamanho

dos problemas sociais. Também ele é o mais baixo de uma família de gigantes e ele é o mais claro também, seu pai lhe chamava de Amarelo. E o irmão do Paulo, o pai chamava de Marrom. Logo

nascerá um livro chamado Marrom e Amarelo, que é sobre a história do Paulo com o seu irmão.

(o computador tá grávido)

 

[os livros em arquivo]

No Computa(dor).

O Paulo escreve lento, nos disse.

E Escreve vários,

simultaneamente.

 

[esportes radicais]

ele pratica. É esqueitista, curte Surf.

Hoje em dia Ele mora no Rio de Janeiro com a sua esposa Morgana Kretzmann (sua primeira leitora) e pensando assim, ir pro Rio foi uma escolha feita também pelo mar e pelo calçadão pra andar de Skate. Ele saiu de Porto Alegre em busca de

Novos desafios. O Paulo não gosta de se sentir acomodado e a cidade

Acomoda, depois de um tempo, especialmente quando você nasceu nela. Então ele decidiu se mudar. Pensou em São Paulo mas em São Paulo ele teria muitos bons amigos e uma vida até parecida, seria uma Porto Alegre Plus.

No Rio de Janeiro ele teria que começar do zero. Está lá desde 2008.

 

[livros por encomenda]

ele lida bem porque, desde que a temática lhe interesse, não os pensa como encomenda e sim como mais 1 desafio

que ele tanto gosta. Com a série Amores Expressos

a editora convidou 17 escritores e os mandou para 17 países por 1 mês para absorver a terra-nova e escrever, depois, uma historia de amor que se passasse lá. O Paulo foi pra Austrália e escreveu o Ithaca Road pra esse projeto, entregou depois de anos, sem

pressa.

 

[o ano em que vivi de Literatura]

é o novo livro do Scott, que a gente foi buscar além dessa prosa, o Livro em mãos com o autor.

E sim, o Paulo largou uma carreira sólida como advogado para ser escritor e não se arrepende das suas escolhas. Além dos Livros, ele dá oficinas literárias,

Palestras e vai se mantendo, sem Reclamar, apenas fazendo

o dele.

 

[produção dos textos pro Blog e prum livro]

nunca é a mesma coisa. O Papel tem peso pra poesia, ele nos disse, e por isso

ela é muito mais trabalhada quando vira

tijolo

prum Livro.

 

[na primeira obra ele usou um pseudônimo]

muito por conta do receio que sentia em se apresentar como poeta.

o Paulo assinou seu primeiro livro com o nome abreviado de seu pai: Elrodris.

Além de ser uma espécie de nome-símbolo da luta pela causa negra.

Seu pai sabe que ele usou seu nome. Os pais do Paulo leem os escritos dele. E não acham nada demais no filho ser

escritor.

 

[grátis?]

seu livro

Mesmo sem dinheiro comprei um esqueite novo

(uma obra bem-casada com o livro O ano em que vivi de literatura por conta da temática Pouca-Grana-fazendo-o-que-se-ama)

a priori o Paulo ia disponibilizar na Internet. A editora Companhia das Letras soube

e falou pra ele esperar, mostrar o livro antes pra eles e no fim o Paulo acabou decidindo por editar, já que ele Vive

exclusivamente

do seu trabalho como escritor. (ainda bem que existe o cartão de crédito)

 

[desconfiar da própria obra]

ele prefere essa postura ao invés da paixão cega quase inevitável que o escritor tende a desenvolver pela sua obra. O Paulo prefere

o verbo

desconfiar

 

de si mesmo pra perceber com mais clareza suas

Limitações, que nuvem, além de reescrever à exaustão

S(eus) textos.

 

Oitava Arte

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A busca do novo

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